Nos últimos dias o
universo conspirou a favor de uma reflexão sobre o racismo, não só no futebol
(onde a modinha surgiu), mas também na vida, no dia a dia, no trabalho, na
faculdade e, espero eu, dentro da cabeça de muita gente por aí. Pra quem não
está ligado no fato, segue um infográfico bem explicadinho...
Um pouco de história...
Pesquisando sobre a
origem da comparação entre homens e macacos, descobri que essa situação vai
além do que Darwin mirabolou na tão famosa “Teoria da Evolução” em 1859. Um
pouco antes, no século XVIII, por exemplo, uma nova maneira de pensar sobre as
espécies emergiu. Anteriormente, a vasta maioria dos europeus acreditava que
Deus havia criado as espécies (incluindo o homem), e que estas espécies eram
imutáveis.
Porém,
muitos outros também acreditavam que Deus havia criado espécies humanas
separadas. Neste esquema, os europeus brancos eram descritos como próximos aos
anjos, enquanto africanos negros e aborígenes estavam mais próximos aos
macacos.
Muitos
cientistas deste século tentaram atacar o modelo criacionista. Mas, ao fazê-lo,
acabaram dando mais poder para o xingamento de macaco.
Em
1770, o cientista holandês Petrus Camper explicou que macacos, símios e
orangotangos, eram todos versões degeneradas do homem original.
Sendo assim, cada
uma dessas maneiras de pensar apenas reforçou a conexão feita por europeus
entre africanos e macacos. Isso fez parecer que pessoas de origem não europeia
eram mais como macacos do que como humanos. Estas diferentes teorias foram
usadas para justificar a escravidão nas fazendas das Américas e o colonialismo
no resto do mundo. Daí surgiu o racismo, a triste e infeliz ideia de que uma
raça é superior à outra.
Daniel, Neymar, publicidade, bananas e macacos.
Não somos todos macacos,
somos todos iguais. E isso não é uma ideologia (embora pareça), é uma
realidade.
Daniel Alves tinha
e tem todo o direito de responder a anos de racismo sofrido dentro e fora de
campo da maneira que lhe achar conveniente, e lhe coube naquele momento
engolir, literalmente, o preconceito. A campanha, a hashtag é que foi infeliz.
Nada contra macacos, nada contra. Mas somos seres pensantes, não somos? Somos
humanos, somos amarelos, brancos, negros, humanos, mamelucos, cafusos, louros, humanos,
índios, orientais, brasileiros, humanos. Humanos. Iguais.
Como musicista, ao escrever essas linhas acabei me lembrando que uma das simbologias do
rock é a caveira. Algumas pessoas não curtem a ideia, mas uma caveira não tem
sexo, não tem cor, não tem raça, não é gorda nem magra e não tem nenhuma cara
que a faça ser diferente da outra. E essa é a essência de todo ser humano. Por isso
#SomosTodosIguais.
Independente das
teorias desenvolvidas ao logo da história, seja o Criacionismo, ou da Evolução,
fomos todos criados como seres racionais e precisamos evoluir um pouco mais. O
preconceito dos de fora com o Brasil parece nos doer mais do que o que os
próprios brasileiros sofrem entre si todos os dias.
Banana não é arma e
tampouco serve como símbolo de luta contra o racismo. Ao contrário, o reafirma
na medida em que relaciona o alvo a um macaco e principalmente na medida em que
simplifica, desqualifica e pior, humoriza o debate sobre racismo no Brasil e no
mundo (Douglas Belchior).
Não somos todos
macacos. Ao menos não para efeito de fazer uso dessa expressão ou ideia como
ferramenta de combate ao racismo. Somos todos humanos e iguais.
Para concluir, uso
o pensamento do redator publicitário Lucão que diz:
“O racismo é uma ótima ferramenta para separar o branco e
o negro de um idiota.”
Fontes de pesquisa:







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